Tapa na cara #1: minha amiga de 76 anos

Eu tenho uma amiga de 76 anos, a Madalena. Somos amigas de marcar de ir uma na casa da outra e tomar chá da tarde – porque, afinal de contas, é o que uma pessoa de 76 anos gosta de fazer e eu também. Nos nossos chás da tarde rolam muitas conversas ricas, dessas de guardar no coração e levar pro resto da vida.

Dona Madalena tem paixão por livros e viagens. Lê demais, tipo um livro por semana, tem uma estante recheada de títulos bacanas. Diz que ver TV emburrece e coleciona bibelôs de destinos que visitou.

O nosso último chá da tarde começou às 16 horas e terminou às 22. Muita conversa rica rolou, como vocês podem perceber.

Estávamos falando sobre envelhecer e solidão. Assunto profundo.

– Sabe, filha, a gente não pode se iludir e achar que ter um marido é ter companhia. Nem filho é companhia.

– Ah, Madalena… mas filho tem a obrigação de acompanhar os pais nos momentos de necessidade, ainda mais na velhice.

– Filha, a gente nasce e morre sozinho. A gente tá nesse mundo pra correr atrás das nossas coisas, nossos sonhos, nossos ideais. É importante ser independente, assim como você é. Veja só, eu fiquei viúva há 20 anos atrás e a minha geração acreditava que o casamento era o fim da vida. Casar era atingir o propósito máximo. Pensa só se minha vida tivesse acabado há 20 anos, quando meu marido faleceu?

– É verdade, né… a senhora é muito bem resolvida.

– E quer saber? Minha vida só começou aos 60.

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Os detalhes da casa de vovó da dona Madalena. 

Obrigada pelo chá e pelos livros emprestados, dona Madalena.

Realmente, eu e a senhora temos muito em comum.

 

A série “Tapa na cara” são diálogos reais que tive a oportunidade de ter com pessoas incríveis e que me trouxeram lições de vida importantes. O nome das pessoas é fictício e as histórias são reais. 

Tapa na cara #1: Hora de vôo

Perdi a hora e perdi o vôo. Outras pessoas perderam o vôo. No vôo em que, finalmente, embarcamos, sentei-me na poltrona do corredor e ao meu lado, na poltrona do meio, sentou Natália, uma menina linda, loira, carioca, baixinha, magrinha, aparentemente da minha idade, sorriso perfeito, astral ótimo.

Falamos sobre trabalho, cidades, bairros, moradia, imóveis, amigos e amor. Ah, o amor. Sempre o amor. O amor é muito interessante de se falar, né?

– Sabe, eu sempre fui namoradeira. Atualmente estou ficando com um cara aí, faz uns 3 meses, mas não sei não. Ontem mesmo eu saí, cheguei tarde, mandei mensagem e até agora nada. Sei não.

– Ah, faz pouco tempo… você não sente que estão na mesma vibe?

– Olha, namorar é compartilhar. Compartilhar de tudo: coisas de trabalho, família, questões pessoais, medos, felicidades, planos, tudo. Eu compartilho os meus e ele compartilha os dele. Eu já tenho todas essas minhas questões muito complexas e, assim, agora, aos meus 27 anos, morando sozinha em São Paulo, tendo minha rotina super ocupada, família morando longe etc, para eu aceitar que outra pessoa compartilhe as questões dela comigo tem que valer muito a pena.

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Obrigada pelas ótimas conversas durante aquela uma hora de vôo, Natália.

 

A série “Tapa na cara” são diálogos reais que tive a oportunidade de ter com pessoas incríveis e que me trouxeram lições de vida importantes. O nome das pessoas é fictício e as histórias são reais. 

os 28 de Freud

Eu temia pela chegada dos 28.

Peço licença aos psicólogos que leem este humilde blog caso eu fale alguma merda.

Uma vez soube que Freud organizou os estudos dele por fases de sete anos: primeira infância dos zero aos 7 anos, depois adolescência dos 14 aos 21, fase “adulta-jovem” dos 21 aos 28 e fase “adulta-adulta” [?] dos 28 aos 35. Pois bem. Acho que entrei nessa tal fase adulta-adulta – desculpa a denominação tosca, sr. Freud. E, como é de se esperar de uma psique humana em constante evolução, para cada fase, um novo ciclo: muitas mudanças.

Os 28 começaram muito que bem. Uma enxurrada de oportunidades, pessoas novas ensinando coisas novas todo dia novo, bens materiais (por que não considerá-los aqui, afinal?), viagens ótimas, experiências incríveis, felicidade 128%. Bom.

De um tempo pra cá, parece que os 128% estão recalculando a rota para o destino Morro Abaixo.

Sei que é bad ficar reclamando da vida quando na verdade a gente deveria ser grato ao universo por tudo que acontece, sei que tem gente em condições piores, sei que tenho uma realidade privilegiada, sei que a gente coloca a régua lá em cima, sei que é uma fase, sei que tudo passa, sei sei sei. Mas olha, tá foda.

Acho que Freud tinha razão na teoria dos sete.

Os 28 vieram pra foder.

Do chão não passa

Eu sempre chego na última semana do ano achando que foi o ano mais insano da vida, mais emoções à flor da pele impossível. Aí chega o próximo ano e percebo que foi tudo igual: mais intenso, mais caótico, mais insano, com mais emoções à flor da pele… ou seja, dá sempre pra melhorar ou piorar, depende do ponto de vista. Parafraseando minha migs querida do coração, Diana Stivelberg: “eu não consigo deixar de ser otimista.”.

É isto.

Esse ano foi insano, sim. Foi tempestade de verão combinada com vento noroeste.

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A vida estava lá seguindo nos conformes quando de repente o clima fechou com nuvem preta no céu e em instantes caiu aquele toró de alagar a viela, paralisar trem da CPTM e pegar todo mundo desprevenido sem guarda-chuva no passeio.

Eu questionei demais o fato de estar ~ficando velha~ mesmo me achando do comitê revolucionário ultrajovem. Inclusive, esse foi um tema recorrente nos meus posts daqui, sorry not sorry. E está sendo o deste post, vejam bem, huehue. 

Tive amigos (aos montes) casando, amigas grávidas, bebês (aos montes!!) nascendo, amigos mudando de emprego, amigos promovidos, amigos viajando o mundo e tudo que passava na minha cabeça era: “que caraglios estou fazendo da minha vida além de ganhar peso e tentar manter a mente sã? Geral tá aí seguindo o baile e eu recomeçando o baile aos 27 anos.”.

A real é: fodaci geral.

A gente vai percebendo que cada um tem seu tempo e a vida acontece para todo mundo.

No fim, acho que tatu do bem ser Peter Pan mesmo, sempre aparecem pessoas incríveis de onde a gente nem imaginava que vinham e que, se cair, do chão não passa.

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Dá uma raladinha, mas passa. Se passa, como passa. <3

Fechando 2017 com a frase de sempre, de todos os meus posts de ano novo porque sou apegadíssima no meu clichê (e fodaci geral): sem olhar para trás, feliz ano novo.

Besos e até 2018.  ❤

 

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Seguindo o baile

Já diria Lady Gaga (inclusive em uma das minhas músicas favoritas): It’s been a long time since I came around…

ladygaga

Acabou o BEDA e acabou o blog. Mentira. Não era a intenção, mas foi o que aconteceu.

Eu voltei de férias em setembro e voltei mergulhada de cabeça no trabalho. Gosto muito de trabalhar e isso tem consumido um bocado de tempo da minha vida, por isso o blog ficou abandonado. Precisamos melhorar nisso e não deixar vocês sem conteúdo por tanto tempo, ma bad.

Algumas coisas mudaram por aqui. Algumas coisas que não faziam sentido ficaram para trás, alguns ciclos se encerraram. Tenho vivido dias by my own e com eles tenho aprendido cada vez mais a curtir minha própria companhia: saio para comer algo, para tomar um café, para dar uma volta no shopping, para resolver alguma pendência de casa, para correr no parque, enfim… aquele famoso “seguindo o baile”.

Amadurecer é complicado, mas gratificante ao mesmo tempo.

Eu gosto dessa coisa de envelhecer, sabe? Sou zero apegada à aparência mais nova, tenho 27 anos e gosto de falar que tenho quase 28 (tá chegando, meu aniver é em fevereiro, oras) e cada vez mais estou próxima dos 30. Com muito orgulho. Deus me dibre vibes Adaline – inclusive, recomendo este filme.

adaline

Quando passei por essa situação quando era mais nova e parecia que era o fim da minha existência terrena. E nem foi. E nunca será. A vida sempre continua belíssima, com milhões de oportunidades, com novos ciclos que nos esperam.

Às vezes a gente se desespera um pouco, sofre um bocado, mas no final a gente também aprende que tudo tem seu tempo.

Não sei se esse post fez sentido pra alguém, só sei que eu precisava escrevê-lo.

Prometo voltar antes do próximo cometa Harley passar, tá?

 

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Mais que férias, vacations

O BEDA passou e foi sucesso e desde então não dei as caras por aqui, ces me perdoam. Chegou setembro, eu estava de férias e offline de praticamente tudo. Estou de volta.

De volta e falando das férias, pois sdds.

Eu nunca tinha tirado férias da forma como foram essas. Eu tirava férias no estágio, uns 15 dias, geralmente nos períodos de férias escolares e estava ótimo. Dessa vez eu tirei férias em agosto/setembro, tipo no meio do furacão rolando, as pessoas trabalham arduamente em agosto/setembro, gente. Eu me senti meio sem saber o que fazer parada ali de boas e todo mundo trabalhando. Estranho.

Em janeiro tá muito calor e todo mundo vive na praia e em julho tá muito frio e todo mundo vive em Campos do Jordão ou Monte Verde. Mais que tendência, trendy. Desculpa, tô muito apegada a essa piadinha.

Nos primeiros dias eu ainda vivi preocupada com as coisas do meu trabalho, pensava nas treta tudo de lá, mas depois de uns 4 ou 5 dias eu sosseguei e desliguei. Muito louco o ritmo que as coisas tomam e muito louco como a cabeça tem um tempo pra desapegar.

Fui pra casa dos meus pais, esqueci hora de dormir e de acordar, assisti Vikings no modo hard, ajudei minha mãe com o novo membro da família – um shitzu *fofo demais com apenas 3 meses pelinho fino dentinho afiado que saltita quando corre*, curti os cachorros, separei as tretas dos cachorros, reguei as plantas do jardim, corri quando deu vontade, comi tudo que me deu vontade, bebi com os meus amigos, conversei sobre a vida, fiz uma mini reforma na sala (em breve escreverei um post só disso), foi lindo.

vacations

Tão lindo o fusquinha enfiado nas planta // Café e pão na chapa, sem hora pra acordar, sem hora pra ser feliz // Descanso pós-piscina-pós-almoço // Choque de água gelada nos pés que correram 4k no asfalto quente // Os cachorros se conhecendo // Rede again.

triskinho

Olhem mais esse cachorro!

Eu nunca tinha notado o quão importante é descansar a mente. É quase que um momento de meditação prolongada por alguns dias, um reset no sistema. Necessário. Muito necessário.

Fiquei reflexiva sobre as pessoas que nunca tiram férias, ou porque precisam de dinheiro e vendem as férias – nesse caso acho que cada um sabe onde o calo aperta – ou porque a empresa não libera – nesse caso é melhor nem comentar.

A lição que levo depois dos 20 dias off é: pessoas, tirem férias. Saiam da bolha, descansem a mente, descansem o corpo, viajem para algum lugar bacana, conversem com amigos, façam o que der na telha.

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Egotrip // BEDA #29

Em Julho fui a um encontro de profissionais de conteúdo publicitário. Foi bacana, eram pessoas que trabalham na área, interessadas em ouvir palestras de pessoas que também trabalham na área. Ok.

As palestras começaram com duas mulheres, depois veio um cara, depois outro cara, ok.

Num dado momento do dia, o apresentador do evento anunciou o cara da palestra X, disse que se falaram pela manhã e aquela seria uma das melhores palestras da vida dele. Ok.

Entra o cara. Expectativa da plateia lá em cima. O cara diz que mudou completamente o roteiro da palestra dele naquela manhã porque resolveu ~ouvir a sua intuição~. Estava tudo pronto sobre outro tema, mas ele desistiu, achou melhor seguir por outro caminho.

Começou contando um case de sucesso que a agência em que ele é diretor de alguma coisa fez, contou que ganhou vários leões de Cannes, que ganhou alguns prêmios pelo Brasil, que levou uma unidade de uma agência foda de São Paulo para o Rio Grande do Sul, que ganhou muito dinheiro nesse tempo e que tem todas as justificativas plausíveis para ninguém mais abrir agências de publicidade. Por fim, contou que o grande tesão da vida dele está no negócio recente que abriu com o seu irmão, porque viu propósito, viu que o ramo alimentício hipster (ces tem alguma dúvida de que se trata de hamburgueria?) dá mais dinheiro que qualquer coisa, afinal de contas o irmão tinha vontade de trabalhar e ele tinha grana para bancar o negócio. Fim.

Como pode esse mundão publicitário de meldels faltar tanto divã pro povo despejar essas egotrip?

egotrip

 

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