Miojo x Maçã: publicidade abusiva ou incentivo ao consumo?

Hoje vim falar de um assunto um pouco mais teórico, que foi justamente o tema que escolhi para defender no meu trabalho de conclusão de curso: “Publicidade abusiva na veiculação de gêneros alimentícios destinada à criança no Brasil”.
 
Aproveitei a minha formação jurídica e as informações que vivo cercada por conta de blog e vida fitness em geral para elaborar um estudo sobre alimentos, publicidade e criança. 🙂
Deixando de lado os nutrientes e o caráter nada compatível com a alimentação saudável, o fato é que compramos miojo da Mônica porque acreditamos piamente que ele é mais gostoso que outros miojos.
Além disso, depois de andar pelo supermercado inteiro e fazer as compras, ao chegarmos no caixa ainda somos bombardeados por coisinhas coloridas de todas as espécies & gêneros, como o pirulito do Ben 10, a bala de coração da Barbie, a goma de mascar do Bob Esponja, o stick azedinho do macaco, o ursinho de gelatina na embalagem azul para garotos, o ursinho de gelatina na embalagem rosa para meninas e por aí vai. É marketing instantâneo, colocado ali estrategicamente consumirmos sem nem pensar.
Fonte: Google. 
Em consonância com a edição do Guia Alimentar pelo Ministério da Saúde, no qual se criou uma nova apresentação da pirâmide alimentar clássica (essa daqui!), o Guia elencou os alimentos em uma ordem diversa, ordem prioritária que se deve consumir os alimentos visando à alimentação saudável, vindo em primeiro lugar os alimentos in natura (frutas, legumes e verduras), em segundo os alimentos minimamente processados (grãos e ervas) e por fim os alimentos ultraprocessados (embutidos, frituras e alimentos congelados/semi prontos).
Dentre os alimentos ultraprocessados compreendem-se as “carnes” congeladas, como hambúrgueres e nuggets. Nem preciso dizer que a turminha toda aparece em peso nos ultraprocessados também, né?
Em abril de 2014, o CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), editou a Resolução 163, na qual se considera publicidade abusiva – segundo o conceito do Código de Defesa do Consumidor – toda veiculação que faz uso de personagens, cores, formas, animações, vozes infantis, sons, efeitos especiais, linguagem infantil, promoções com competições, promoções com brindes colecionáveis e todos os meios utilizados na atividade mercadológica para persuadir a criança a consumir determinados produtos.
Difícil missão, não? Tudo que pensamos que existe no mercado voltado à criança tem algum personagem, cor ou algo que remeta ao mundo infantil na embalagem.
Voltando à questão dos alimentos, existe uma questão polêmica: ok, é certo que alimentos ricos em sódio, açúcar, gordura e aditivos químicos não são saudáveis para ninguém. Mas e as frutas, verduras e legumes com embalagens infantis, como a maçã e a cenourinha da Mônica? 
Pela Resolução 163/14, nenhuma embalagem pode conter personagens, seja o alimento saudável ou não. No entanto, a grande questão fundamental por trás disso tudo é mostrar para as crianças a importância de consumir certos alimentos independente da forma como ele é vendido. A maçã da Mônica é a maçã fuji, a mesma vendida nas feiras livres e nos hortifrutis.
É inegável que a influência de personagens tão queridos por todas as crianças e pelos adultos (que cresceram lendo gibis da Turma da Mônica) é enorme e incentiva o consumo, seja de miojo, seja de maçã. Logo, seria então viável que frutas e legumes fossem apresentados ao mercado com esse apelo?
Sobre essa questão controversa, a minha opinião é a seguinte: não faz parte da atividade publicitária e mercadológica ensinar hábitos saudáveis às crianças, que crescem vendo e consumindo tudo rico em sódio, açúcar e gordura que existe no mercado, apresentando, consequentemente, quadros de obesidade infantil, bem como obesidade na fase adulta. Esse papel é da educação. Seria ideal que existisse na educação infantil alguma formação destinada à conscientização sobre alimentação saudável, sobre valores nutricionais dos alimentos e sobre o que cada grupo alimentar representa, mas infelizmente isso ainda não acontece no Brasil. São políticas sociais distintas que deveriam unir os esforços e trabalhar juntas.
Assim, essa função é remetida aos pais, de quem se espera que tenha bom senso e pregue a boa alimentação no dia-a-dia em casa, evitando ao máximo oferecer/comprar essas tentações bombásticas das prateleiras coloridas.

E como fica a indústria alimentícia nesse caso? De novo, na minha opinião: já que a Resolução 163/14 é clara ao proibir tais artifícios na veiculação de produtos infantis, se o miojo não pode, a maçã também não pode. Igualdade de gêneros alimentícios! rs

É uma questão polêmica e bem recente, que ainda não encontrou uma forma uniforme e efetiva de apresentar os produtos e serviços ao mercado de consumo infantil.

Esse assunto é muito amplo e dá para explorar N coisas… se for do interesse de vocês, posso escrever mais sobre o tema. 🙂
Espero que tenham gostado!
Um beijo!
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