A influência está nos olhos de quem vê

Antes a Globo era a culpada pela má influência do Brasil e do mundo. Agora os maus influenciadores tem nome, sobrenome, perfil no Facebook, Instagram, Snapchat, blog e canal no Youtube.

Quando era a Globo, era difícil atingir o cerne da coisa, pois tratava-se de uma emissora de televisão gigantesca, com uma influência colossal e com milhares de pessoas trabalhando por trás de tudo. Mas aí veio a internet. Ah, a internet! No nem tão maravilhoso mundo da internet as coisas são regidas pelo calor humano, sem produção, a cara é dada a tapa diante de uma câmera e sem segundos isso é publicado na rede.

A internet é linda pela liberdade de expressão que oferece, mas ainda é um terreno sombrio. A postagem tem alcance, tem linguagem; a interpretação das pessoas não. Para as más línguas, o céu é o limite e o veneno trafega na velocidade da luz.

O mais paradoxal disso tudo é saber que o que mais interessa as pessoas nas mídias digitais é justamente a simplicidade como as coisas são feitas, o tal do “gente como a gente” – gente que acorda às 6 da manhã, gente que pega ônibus, gente que tem lá seus dias de mal humor, gente que passa seus perrengues diários – falando abertamente sobre seus ideais, suas crenças, suas referências, seus modos de levar a vida.

Vai dizer que às vezes não dá vontade de vomitar tudo que vem do coração e em segundos isso estar acessível até pelo outro lado do planeta? Eu tenho medo. E justamente por esse medo eu penso meticulosamente em cada palavra que escrevo neste blog, às vezes até prefiro guardar certas opiniões, o meu lado gente como a gente, porque sei lá eu qual o tom que minha opinião vai tomar quando cair no turbilhão distorcido da internet.

Ao meu ver, é inocência demais e bom senso de menos. A vida tá aí, disponível a todos em igual proporção, pronta para ser vivida no modo selva de pedra. Nobody said it was easy. Cabe a cada um ser coerente o suficiente para se deixar (ou não) influenciar pelo conteúdo que os olhos veem.

A rede social é um câncer na sua vida? Atrapalha porque influencia negativamente suas opiniões? Deleta, oras.

Postou foto de frango com batata doce? Você não é nutricionista. Postou foto levantando peso na academia? Você não é educador físico e não tem credencial para isso. Falou no Facebook sobre um projeto de lei? Você não é jurista. Falou sobre sentimentos? Você não é psicólogo.

Somos, então, todos uma farsa, um exercício ilegal de nossas vivências cotidianas. Assim fica difícil colocar a opinião de gente como a gente de carne e osso e sentimentos e experiências, né?

De novo, é inocência demais e bom senso de menos. Mais filtro e menos cricricri.

 

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