Tapa na cara #1: Hora de vôo

Perdi a hora e perdi o vôo. Outras pessoas perderam o vôo. No vôo em que, finalmente, embarcamos, sentei-me na poltrona do corredor e ao meu lado, na poltrona do meio, sentou Natália, uma menina linda, loira, carioca, baixinha, magrinha, aparentemente da minha idade, sorriso perfeito, astral ótimo.

Falamos sobre trabalho, cidades, bairros, moradia, imóveis, amigos e amor. Ah, o amor. Sempre o amor. O amor é muito interessante de se falar, né?

– Sabe, eu sempre fui namoradeira. Atualmente estou ficando com um cara aí, faz uns 3 meses, mas não sei não. Ontem mesmo eu saí, cheguei tarde, mandei mensagem e até agora nada. Sei não.

– Ah, faz pouco tempo… você não sente que estão na mesma vibe?

– Olha, namorar é compartilhar. Compartilhar de tudo: coisas de trabalho, família, questões pessoais, medos, felicidades, planos, tudo. Eu compartilho os meus e ele compartilha os dele. Eu já tenho todas essas minhas questões muito complexas e, assim, agora, aos meus 27 anos, morando sozinha em São Paulo, tendo minha rotina super ocupada, família morando longe etc, para eu aceitar que outra pessoa compartilhe as questões dela comigo tem que valer muito a pena.

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Obrigada pelas ótimas conversas durante aquela uma hora de vôo, Natália.

 

A série “Tapa na cara” são diálogos reais que tive a oportunidade de ter com pessoas incríveis e que me trouxeram lições de vida importantes. O nome das pessoas é fictício e as histórias são reais. 

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